Splendor sine occasu

Costumo deixar de pensar.
As vezes pensar dói demais.
Outras, simplesmente cansa.
Cansa manter o ritmo, cansa ser tão “overdrive”,
Mas também cansa o marasmo, o freio e as suas variações.
Se cansa cansar?
Claro, cansa.
Costumo deixar de pensar.
As vezes dói tentar repartir migalhas.
Outras, simplesmente reparto.
Pra que com o tempo o torne mais ameno,
Parto. Sem rumo com destino certo ao incerto.
Absolvo. Parte de mim sabe a verdade,
Que é incerto o rumo dos cruzamentos,
Mas que desatino a correr pelos ladrilhos azuis,
A, sim…
Assim, rumores distantes me sussurram,
Que o vento se faz verdade a meia noite,
A hora macabra dos gatos pardos,
Das meias verdades e das meias noites em claro.

Ah, costumo pensar.
Pensar, pensar, pensar…deixar.

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