Carpe Diem

 

 

Não julgo mais outrem.
Sou eu quem deriva,
Não margeio, não abstenho,
Recalculo rotas sem saber incógnitas.

Sou por mim mesmo,
Sem por que ou para que,
Vivo um dia,
Depois o outro,
Desfaço-me da agonia,
Aprendo a repartir empatia.

Não tenho medo de errar,
Ora se o erro é por si só um acerto,
Um preparo inconsciente,
Para que no momento certo,
Faça-se saber que todo o ensaio,
Valeu a pena:
A plenituda da felicidade,
É o espetáculo completo.

E os espetáculos são unicos,
A vida é unica, o momento
A chuva e o segundo…
O hoje, o perdão e a palavra.

Não, já não sou mais o mesmo.
E de longe, não quero as mesmices,
Porque o tempo hoje
Me é precioso, sagrado
Intimimamente meu.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Splendor sine occasu

Costumo deixar de pensar.
As vezes pensar dói demais.
Outras, simplesmente cansa.
Cansa manter o ritmo, cansa ser tão “overdrive”,
Mas também cansa o marasmo, o freio e as suas variações.
Se cansa cansar?
Claro, cansa.
Costumo deixar de pensar.
As vezes dói tentar repartir migalhas.
Outras, simplesmente reparto.
Pra que com o tempo o torne mais ameno,
Parto. Sem rumo com destino certo ao incerto.
Absolvo. Parte de mim sabe a verdade,
Que é incerto o rumo dos cruzamentos,
Mas que desatino a correr pelos ladrilhos azuis,
A, sim…
Assim, rumores distantes me sussurram,
Que o vento se faz verdade a meia noite,
A hora macabra dos gatos pardos,
Das meias verdades e das meias noites em claro.

Ah, costumo pensar.
Pensar, pensar, pensar…deixar.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Solidate

Um ano passou.

Muito rapido. Esses dias comentei sobre o ocorrido e usei o termo “meses atrás”.

Ainda é meio dificil pra mim. Acho que por todas as coisas que vivemos e tudo que você significou pra mim.

Depois do fim eu me lembro de estar sentando, quieto, exausto e acabado por dentro. Lembro dos abraços que vinham e dos ombros oferecidos. Lembro também que não era de nada daquilo que eu precisava, eu só queria ter te dito o que eu não pude…

Os dias seguiram rápido demais mas a dor não os acompanhou; Aqui tá tudo ainda tão recente e aberto. As imagens, do fim e do durante. O sorriso que se perdeu, o abraço e os dizeres.

Lembro das pizzas de mussarela, do dia do pagamento e das filas do caixa eletrônico, dos natais na sua casa. Cada vez que lembro dói mais, dói falar, dói lembrar…doi a saudade que aperta mais e mais.

Você fez aniversário mês passado. Ou faria, sei lá. Foi um dia triste pra mim sem poder te dar um abraço ou te levar uma lembrança qualquer.

As vezes sento na varanda pensando no que ficou e pra onde tudo vai. Se um dia vamos sentar próximos e conversar tudo aquilo que não conversamos.

20 anos foi muito pouco pra conviver com você; 20 anos foi o bastante pra eu te amar pra toda eternidade, daqui até a pós vida.

Eu sinto sua falta pai (vô). Todos os dias.

Gilberto Rizzo – 1940 – 2010.

 

* Ao som de Immortality – Pearl Jam.

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Vértice

 

Sou metade das minhas verdades

Na outra, sou minha mentira

Minha parte mais dolorosa,

Aguda, penetrante, fatal…

Sou metade das minhas virtudes

Na outra, sou meu defeito

Meus vícios e meus pecados,

Obscuros, irracionais, obscenos…

E das metades, nem sei quem sou

Se sou verdade ou mentira,

Virtude ou vício

Das metades, mal sei qual

Prevalece, intitula-me

Ou rasga-me e sobrepõe.

 * Ao som de “Love is a losing game” – Amy Winehouse.

6 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Ultimos Passos

É noite.

Inverno vem chegando, frio tipico, tipico de todas as estaçoes do ano que conheci.

O frio me é muito nostalgico. Nao sei porque as lembranças necessitam tanto de romantinzar os momentos dos nossos passados longinquos.

Eu tenho certeza de que eu nao me sentia plenamente feliz enquanto andava pelas ruas da cidade no frio da noite sabendo que eu tinha você, mas isso, estranhamente, me parece ser o real.

O certo pra se lembrar ou o mais proximo disso.

Provavelmente, eu não tenha sido assim, tão feliz quanto eu me pego recordando, mas eu insisto em achar que sim. E não há motivo que me leve dessa sensação surreal, dessa condição psiquicamente dependente.

Porque é muito dificil quantificar saudade, dor, amor e decepção.

 

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Verdades

O lirio que brotou na minha janela se desfez,
junto com o silêncio mórbido que rompeu
Suas meias verdades e seus meios termos,
foi-se assim, junto:
completamente.
Quase como a ambiguidade das palavras,
Dos exatos pormenores e maiores,
Das tuas nuas certezas, dos teus infímos
(des)amores.

E assim, fez-se novo.
Pranto, ciclo, recomeço;
Funcionalmente incapaz, sentimentalmente,
suficiente.
Livre, triste.
Sem sombra, sem porta atrás de porta,
só o eco.
A liberdade do vazio,
a essência.
O eu.

A retomada.
A nova estrela, que brilha pra si,
Ou a onda que rabete por auto-suficiencia,
Eternamente imutável.
Agora que…
Que eu já nem sei mais nada.

Não voltar é uma escolha,
já sobre o voar,
uma deficiência,
Não importa; não mais.

Nem o tom da musica.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Uma longa estrada entre o inverno e o eu.

O frio e a falta de percepção das coisas a minha volta me deixa numa condição extremamente nostalgica.
Acho que todo mundo já se sentiu assim, meio perdido dentro de si, com todos os caminhos a sua frente e mesmo assim, sem nenhum que te leve
no verdadeiro paradeiro da sua alma.
Essas noites regadas a uma boa melodia de violão numa voz boemia dá a impressão de estar re-vivendo o final daquele livro que você tanto gosta; Aquele cujo qual o autor já partiu, cujas páginas você decorou e espera do fundo do seu coração que ainda tenha enredo pra mais dez mil páginas.

Desculpe se faltou pele na descrição, mas se eu precisasse descrever minhas mais marcantes perdas, seria assim. Não que eu não tenha perdido coisas relevantes na minha vida, como
meu avô, como meus amigos, mas a dor de vê-los partir é imutável, estática e imensurável; A dor da saudade daquilo que você não teve é aquela da duvida, da decepção, da fragilidade: Isso faz da dúvida companheiro de travesseiro.
E dores.  São elas, diferentes e tão  ligadas numa só que fazem a gente esperar ansiosamente pelo dia seguinte. Quase ninguem se dá conta de que o dia seguinte é só um reflexo, só um mero eco do que já se passou. É o agora que conta, e no entanto, o amanhã é mais sedutor.
E é nessa hipnose involuntária que eu me pergunto, até quando o dia de amanhã será assim, tão melhor que o medíocre  hoje?

Ai minha consciência amarga, por trás de qualquer absolvição impura, resmunga:

Até quando o hoje, for o fim.

[não dá realmente pra saber.]

1 Comentário

Arquivado em Uncategorized

Primeira pessoa do (plural) singular.

Noite fria.

O começo da madrugada é sempre o mais ameno. É sempre o momento de renovar a esperança com o sono que timidamente vem chegando…e enquanto isso, do outro lado do paradoxo, as duvidas me martirizam como se fossem cacos sob meus pés trilhando o destino incerto.

Não aquelas clichês que perguntam de onde viemos e para onde vamos; Se o tempo não as respondeu, elas que batam e voltem como a maré do oceano sem fim. Eu me pergunto mesmo é o porque das coisas, a intensidade dos momentos e a verdade contida em cada “se”; A essência de cada virgula e de cada paragráfo de um dia-a-dia desconexo.

Eu me pergunto o quanto falta pra chegar na proxima esquina, e porque o coração grita que o outro lado do mundo se encontra tão perto. É tudo perspectiva barata, mas me faz aprender que cada escolha cria um ponto no mapa da sua vida, e ai você vai traçando-os, com um barbante cor de carne, só pra saber se o desenho talvez faça algum sentido: Igual as tardes da infância procurando o elefante na nuvem branca.

Se é tudo uma grande incógnita, que seja. Tudo bem que eu não sou bom de exatas, dá pra perceber, se não eu não ia escrever, ia decompor a vida, mas acho mesmo que ainda, o melhor caminho é preocupar-se com as conjunções – só pra saber em que ponto, minha vida vai se encaixar perfeitamente a plenitude.

Assim, avança a madrugada, ao lado distante, teu.


[ Ao som de "The Penalty" - Beirut ]

1 Comentário

Arquivado em Uncategorized

Anjos e Demônios.

Não tem que ter um padrão;  Acho justo.

É justamente como eu me encontro em mim – Essa falta de qualquer inominável necessidade especulativa, tão sólida e consistente entre seus inicios e meios.

É por consequência minha ressaca numa maré desconhecida, onde a melodia das ondas se chocando contra as rochas me remete a idéia do vazio: A eterna ida e vinda sem motivo aparente numa rotina desesperada e fria.

E se vez ou outra me choco com a água doce, a vida me grita que ali não é meu lugar, assim, na primeira corrente eu fujo de volta pra segurança do meu oceano estático.  Seguro e Mortal.

E neste contra-senso eu me guio por esse infinitio, anestesiado, esperando qualquer tremor que me tire desta calmaria hereditária.

Perversa e Sagrada.

1 Comentário

Arquivado em Uncategorized

Sunday.

Eu detesto essa rotaçao imperfeita; Esse dia que nasce na tormenta e acaba amarelo, a camisa preta que com o tempo fica cinza, a paixao ardente que se torna plenitude.
Detesto essa rotina feudalista; Essa subversao dos valores humanos, a amplitude do verbo ter, o conceito neo-modernista de bem estar… E tudo fixacao.
Vicio. vicio pelo obvio, pelo aterrador, pela desgraça alheia e pelo auto-controle evasivo.

Eu detesto julgar os outros.

Detesto porque no fundo, nao me difiro em quase nada.

1 Comentário

Arquivado em Uncategorized